04/11/2024
há 3 anos, por esta altura, desenvolvia os estudos que mais tarde chamei de “pele das árvores”. através do decalque, imprimo sobre o papel, o registo do tronco das árvores. procurava transportar para o papel a textura, as marcas, os sinais, as cicatrizes, as feridas. descobrir-lhe mais, do que o visível no fugaz e desinteressado olhar humano. o subtil. são desenhos demorados, que requerem tempo para ser olhados e apreendidos nas múltiplas leituras que transportam e convocam. a partir deste estudo, desenvolvi outros desenhos que estão em exposição… mas existe mais para explorar sobre este tema.
nestes momentos de contacto com o natural, somos transportados para outras esferas de realidade. no processo de trabalho apenas a árvore existe. eu, o tronco, sendo apenas um, vivendo o que podia ser a eternidade. descubro-lhe as singularidades, tal como na minha pele, reconheço as marcas, as rugas de crescimento. são encontros de intimidade.
nesta simbiose, ficamos disponíveis ao que os sentidos percepcionam. a acontecimentos que requerem tempo para ser observados, escutados, sentidos. ali, esse despertar escutou o momento de caída das folhas que, melodicamente, entoou por todo o campo. surpreendeu. encantou. era o Outono a acontecer.