07/08/2026
Todos os anos faço uma viagem de moto sozinho.
E por muito que eu diga que tem a ver com o destino para onde vou, a verdade é que tem mais a ver com o fugir de do que o ir para.
Fugir da rotina, do barulho e até das pessoas que fazem parte do meu dia a dia.
Porque basta-me Deus, a minha Harley e uma estrada para encontrar paz.
Quanto mais quilómetros, melhor. Quanto mais horas em cima da moto, melhor.
E para quem acha que andar de moto é perigoso, eu só posso dizer isto.
Quando ando de moto não há espaço para distrações. Estou exposto a tudo. Ao vento, à chuva, ao calor, aos buracos na estrada, aos carros, aos animais, ao piso, aos erros dos outros e, acima de tudo, aos meus próprios erros.
Cada curva, cada ultrapassagem, cada semáforo ou cruzamento obriga-me a antecipar o que pode acontecer antes que aconteça. E isso fez-me desenvolver um sexto sentido. Aprendi a ler comportamentos, a prever movimentos, bem como a identif**ar perigos antes de existirem.
E isso não f**a só em cima da moto. Serve para a vida. É viver fora da zona de conforto e colocar-me num estado de presença absoluta.
Porque é no desconforto que crescemos e é quando deixamos de viver em piloto automático que começamos realmente a viver.
Talvez por isso continue a fazê-lo. Não para fugir da vida, mas sim para me reencontrar com o eu com quem quero viver.
Safe rides para todos os que fazem o seu caminho.
Deus vos abençoe e vos acompanhe até casa, onde quer que seja casa neste momento.