18/10/2025
Durante os 77 dias de internação, Lucy concentrou toda energia na sua recuperação. Uma recuperação que, apesar de todo o seu comprometimento, lamentavelmente, não veio.
Por alguns momentos, ela se permitiu distrair a mente em atividades com que pudesse relaxar. O uso do celular, abolido desde o início, não foi uma opção. Ao invés dele, fez palavras cruzadas, caça-palavras, jogou dama, arriscou uma partida de xadrez... Mas em nenhuma dessas distrações conseguiu dar continuidade.
Houve uma, entretanto, à qual se dedicou com todo o carinho: desenhar.
Munida de lápis, uma caixa de lápis de cor e canetas hidrográf**as coloridas, deu vazão à sua criatividade e começou a esboçar numa folha de papel aquela que viria a ser a representação de seu estado de espírito, enfrentando sua enfermidade, até às vésperas do quadro crítico de sua saúde.
O resultado é uma ilustração singela, mas repleta de signif**ado, e que traduz bem a profunda visão de nossa amada Aninha, minha para sempre Lovely Lucy, sobre tão sofrido, desafiador e, saberíamos tristemente mais tarde, derradeiro período de sua vida.
Dias atrás, mandei emoldurar a obra que marca os últimos traços da nossa querida e saudosa arquiteta de Uma Casa Colorida.
Quando a moldura estiver pronta, encontrará um lugar reservado e, para mim, sagrado, onde f**ará exposta como símbolo de sua eterna presença em nossas vidas e, particularmente, na minha. E esse lugar não poderia ser outro senão sobre a cabeceira de nossa cama, do lado em que ao meu lado se deitava.
Deixo com vocês a liberdade de interpretação de cada um, com a convivência com Aninha, minha Lovely Lucy, sobre como veem sua última e definitiva obra, por que não dizer, de arte.