08/05/2026
Salão de Milão 2026
Quando o clássico abraça o contemporâneo
As experiências mais marcantes da feira não aconteceram nos stands padronizados da Rho Fiera. Aconteceram nos Fuorisalone, dentro de palácios milaneses dos séculos XVII e XVIII, casas históricas e instalações que acomodaram os showrooms das principais marcas internacionais como Hermès, Dimore, Cassina, Flos e Poltrona Frau
A beleza clássica dessas arquiteturas seculares foi protagonista silenciosa. Pés-direitos monumentais, afrescos, boiseries, mármores centenários e simetrias perfeitas criaram o palco ideal para o mobiliário contemporâneo respirar. O contraste entre a base histórica e o design atual não gerou ruído. Gerou valor. Cada peça exposta nesses solares milaneses ganhou peso, contexto e atemporalidade. O clássico não competiu. Ele legitimou.
Nesse cenário, o Brasil teve destaque. Designers brasileiros expuseram com força e foram celebrados justamente por essa capacidade de dialogar com o tempo. Nossas fibras naturais, madeiras e traços orgânicos encontraram eco perfeito nos palácios italianos. A brasilidade, que nasce do artesanal e do tropical, mostrou que também é universal quando inserida num contexto de elegância clássica.
Nomes como Jader Almeida, Studio Sette7, Zanine Caldas, Simone Coste, Studio Ninho, Cristiane Bertolucci, Felipe Rezende e Arthur Casas tiveram produtos expostos em showrooms disputados. O mobiliário brasileiro não parecia deslocado. Parecia que sempre esteve ali. Porque bom design, assim como boa arquitetura, atravessa séculos.
O Salão de Milão 2026 deixou uma lição clara: a base clássica não é passado. É plataforma. É ela que dá profundidade ao contemporâneo, que sustenta a inovação e que prova que o novo é realmente relevante quando sabe conversar com a história.
Milão lembrou ao mundo que casas com alma valorizam o design com alma. E que o Brasil tem os dois.