08/10/2026
Uma história que já havia provocado indignação em toda a Turquia ganhou um capítulo ainda mais inesperado dois anos depois.
Em **15 de janeiro de 2019**, Berfin Özek, então com 19 anos, voltava para casa após sair do curso preparatório em İskenderun, no sul da Turquia, quando foi atacada pelo ex-namorado, **Casim Ozan Çeltik**.
Ele lançou uma substância ácida contra o rosto da jovem.
Berfin sofreu queimaduras graves, precisou passar por diversas intervenções médicas e perdeu a visão do olho direito. As marcas daquele ataque permaneceriam não apenas em seu rosto, mas também em toda a sua trajetória.
Çeltik foi preso e, em janeiro de 2020, condenado a **13 anos e seis meses de prisão** por lesão corporal intencional.
Na época, Berfin chegou a questionar publicamente a pena, dizendo que ela não correspondia ao sofrimento que havia enfrentado.
Mas, poucos meses depois, aconteceu uma mudança que surpreendeu até pessoas que acompanhavam o caso.
Em abril de 2020, Berfin apresentou uma petição retirando sua queixa contra o ex-namorado. Segundo reportagens daquele período, ela afirmou que ainda o amava e que pretendia se casar com ele.
A retirada da queixa não significava que o processo simplesmente desapareceria, já que a ação criminal poderia continuar independentemente dessa decisão.
Meses depois, a própria Berfin disse que estava profundamente arrependida.
“Foi uma decisão errada”, declarou em entrevista, explicando que ainda vivia as consequências psicológicas do que havia acontecido.
Naquele mesmo período, a Turquia discutia alterações no sistema de execução das penas em meio à pandemia de Covid-19, e advogados e políticos chegaram a afirmar que Çeltik poderia ser beneficiado pelas novas regras.
Mais tarde, ele acabou sendo colocado em liberdade por decisão judicial.
Então veio o capítulo que colocou novamente a história no centro das atenções.
Em **dezembro de 2021**, já com 21 anos, Berfin se casou com o homem responsável pelo ataque que havia deixado sequelas permanentes em seu rosto.
As imagens do casamento circularam rapidamente pelas redes sociais e provocaram uma forte reação pública.
Até dentro da própria família houve oposição.
Yaşar Özek, pai de Berfin, afirmou que soube do casamento pelas redes sociais e deixou claro que não concordava com a decisão da filha.
A história também gerou discussões entre organizações de defesa das mulheres e especialistas sobre violência em relacionamentos, trauma e a complexidade das decisões tomadas por vítimas após situações de abuso.
É importante, porém, não transformar a decisão posterior de Berfin em justificativa para o que aconteceu antes.
O fato documentado permanece: ela sofreu uma grave agressão praticada pelo então ex-companheiro, que foi condenado criminalmente pelo ataque.
Anos depois, Berfin tomou uma decisão pessoal que surpreendeu até aqueles que haviam acompanhado sua luta desde o início.
Um caso que começou com um crime brutal e terminou, ao menos naquele momento, com um casamento que poucos poderiam imaginar.
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