25/08/2026
..:Minha primeira memória de arquitetura vem de uma viagem que fiz com meus pais, ainda pequena, para Petrópolis. Eles resolveram me levar para visitar a casa de Santos Dumont. Eu nunca esqueci o que senti ao subir os degraus desencontrados daquela escada. Foi aí que me apaixonei por arquitetura pela primeira vez.
Depois vieram os blocos de Lego, a casa da Barbie e, então, as revistas.
Uma das minha preferida era a Casa e Jardim. Eu tinha pilhas delas (guardo até hoje) e me debruçava sobre as páginas sempre que uma cruzava o meu caminho. Já me imaginei morando em várias daquelas casas e, quando me entendi como arquiteta, o sonho era poder um dia estar estampada ali. Achei que correria até a banca de jornal, como fazia antigamente, para comprar o meu exemplar... os tempos mudaram e as bancas, infelizmente, estão quase extintas.
Mas isso não diminui em nada o que estou sentindo hoje. É quase como se eu fosse aquela mesma garotinha correndo até a banca para ver:
Sou finalista do Prêmio Casa e Jardim, na categoria Memórias.
Posso repetir essa frase?
Existe uma ironia bonita nisso tudo. A Casa Terra é um dos projetos que mais me enchem o peito — repleto de memórias minhas e do meu marido.
O móvel que me trouxe até aqui foi, um dia, da minha avó, a minha maior fã. Quando eu era pequena, era ela quem me enchia de pincéis, tintas, telas e possibilidades.
Hoje, um pedaço da história dela mora na minha casa.
Talvez seja por isso que fico tão emocionada ao ler a palavra finalista.
Eu amo TANTO o que faço, que durante muito tempo, me entendi mais como arquiteta do que qualquer outra coisa. Revisitar esse lugar agora, sendo mãe, me dá um orgulho difícil de explicar.
A Lina ainda não sabe o tamanho que eu quero ser.
Por ela.
Por mim.
E pelo tanto que amo esse trabalho.
Obrigada, Casa e Jardim, por me lembrar da minha força.
Eu tenho um carinho enorme pela palavra memória.
E hoje ganhei mais uma.
Uma que, definitivamente, vai ser difícil de esquecer. Afinal, hoje eu já ganhei ♥️
📸 Julia Novoa Fotografia