02/06/2026
Alguns projetos chegam como encomenda. Outros chegam como convite para sair do lugar conhecido.
Anos depois de projetar o apartamento do Arthur Pires (Tutu), recebi dele um novo desafio: criar a cenografia de Quarto 2107, sua primeira peça como autor, dirigida por Rodrigo. Não era mais um espaço para ser habitado no cotidiano, mas um espaço para sustentar uma narrativa.
No teatro, a arquitetura muda de função. Ela não organiza apenas o uso; ela participa da cena. Em Quarto 2107, o quarto de motel precisava carregar o tempo, as escolhas e os encontros que atravessam a história. Por isso, a construção do cenário partiu de elementos simples: móveis com marcas de outra época, luzes indiretas, madeiras escuras, reflexos discretos e, ao centro, a cama como eixo dramático do espaço.
Assistir à peça depois de concluído o processo foi perceber que a cenografia encontra seu sentido quando deixa de ser cenário e passa a fazer parte da narrativa. Quando o espaço não compete com os atores, mas oferece suporte para que a história aconteça.
Guardo esse trabalho com carinho porque ele representou algo que sempre procuro na profissão: a oportunidade de me reinventar. E também porque me lembrou da importância das boas parcerias. Arthur, Rodrigo, elenco, produção e toda a equipe transformaram o processo em uma experiência generosa, construída na troca e na confiança.
Projetar é, muitas vezes, aceitar o convite para entrar em territórios novos. E ter com quem compartilhar esse caminho faz toda a diferença. 🎭✨