08/07/2026
Natal, 07 de julho de 2026
Carta aberta para minha mãe, Zânia Maria Medeiros de Castro
Mãe,
Hoje decidi falar sobre você e tudo o que representa para mim. Permita-me fazer um pequeno resumo da sua história. Talvez, somente assim, quem ler esta carta compreenda a dimensão da mulher que você é.
Zânia é a caçula de uma família de cinco filhos: Ricardo Ivan e suas irmãs Wânia, Tânia, Maria das Graças e ela, filha de Antônio Justino de Medeiros e Naumar de Castro Pinto. Segundo os relatos da família, sempre foi uma criança doce, carinhosa e muito apegada à minha avó. Daquelas que encantavam pela delicadeza, pelos cachinhos dourados e pelos olhos cor de jabuticaba, sua fruta preferida.
Apesar da meiguice, tornou-se uma mulher determinada. Aos vinte e dois anos, casou-se com Ovídio e engravidou de Alexandre. Infelizmente, meu irmão mais velho faleceu logo após o nascimento. Três anos depois, aos vinte e cinco, segurou nos braços seu segundo bebê: eu.
Meu nascimento foi um verdadeiro milagre. Durante nove meses, você permaneceu em repouso absoluto para que eu pudesse me desenvolver e continuar viva. Pouco tempo depois, seu casamento chegou ao fim e, ainda comigo bebê, você precisou recomeçar. Foi aprovada no concurso público do INSS, conquistando a estabilidade que lhe permitiu me criar com dignidade e segurança.
Mais tarde, casou-se com Airton de Castro, acolhendo seus três filhos: Márcia, Marcelo e Airton Filho. Dessa união com Airton, a quem tenho a honra de chamar de pai, nasceram Diego e Eliz, que Deus chamou para junto de Si apenas um mês após o nascimento.
Diego nasceu surdo e com paralisia cerebral, que comprometeu principalmente seus membros inferiores. Ainda muito jovem, você recusou o destino que os médicos haviam traçado para ele. Disseram que viveria em uma cadeira de rodas. Você decidiu acreditar que ele poderia ir além. Levou-o à fisioterapia, à natação, à fonoaudiologia e nunca desistiu.
Hoje, Diego caminha com o auxílio de muletas, é um surdo oralizado e concluiu o Ensino Médio numa época em que quase ninguém falava sobre inclusão.
(Continua nos comentários)