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Tem uma escolha em O Fim da Rua que eu acho muito mais interessante do que simplesmente colocar dinossauros no meio dos ...
29/09/2026

Tem uma escolha em O Fim da Rua que eu acho muito mais interessante do que simplesmente colocar dinossauros no meio dos anos 80:

colocá-los no subúrbio.

O design de produção de Maya Shimoguchi constrói aquela imagem extremamente reconhecível da vida suburbana americana. Casas, jardins, carros, bicicletas, objetos e interiores ajudam a estabelecer não apenas uma época, mas uma sensação de normalidade.

E isso conversa diretamente com a tradição dos filmes de aventura dos anos 80. As referências a Spielberg e às produções da Amblin aparecem tanto na estética quanto na maneira como aquele bairro é filmado.

Só que David Robert Mitchell pega esse imaginário familiar e muda completamente seu signif**ado.

Quando a vizinhança é transportada para a era dos dinossauros, a arquitetura permanece praticamente a mesma. O que desaparece é tudo aquilo que fazia esses espaços parecerem seguros.

A casa ainda tem paredes, mas existe alguma coisa do lado de fora capaz de atravessar aquela proteção.

O quintal deixa de ser extensão da casa e vira território exposto.

A rua deixa de conectar vizinhos e passa a ser um lugar que precisa ser atravessado.

E é justamente esse contraste que eu acho mais interessante arquitetonicamente: o filme transforma espaços sem necessariamente precisar transformá-los fisicamente.

Às vezes, basta mudar o contexto para uma casa deixar de ser lar e virar abrigo.

Agora quero saber: você teria coragem de sair de casa nesse bairro ou f**aria escondido esperando uma solução? E qual filme ou série deveria ser a próxima análise?

Uma das coisas que mais me chama atenção em Vermelho Sangue é como Guarambá participa da história.Na segunda temporada, ...
24/09/2026

Uma das coisas que mais me chama atenção em Vermelho Sangue é como Guarambá participa da história.

Na segunda temporada, essa sensação f**a ainda mais evidente. A natureza, as construções, os interiores escuros e os espaços ligados à pesquisa criam diferentes camadas para uma cidade que, à primeira vista, poderia parecer tranquila.

E eu gosto principalmente de como a série trabalha o fantástico dentro de uma estética muito reconhecível. Não precisamos entrar em um castelo ou em uma cidade completamente inventada para perceber que existe alguma coisa errada ali.

A arquitetura continua familiar. O que muda é a maneira como ela é enquadrada, iluminada e ocupada pelos personagens.

Vocês morariam em Guarambá sabendo de tudo que acontece por lá?

Filmes e séries que quero assistirMinha watchlist para o final de 2026 já está f**ando perigosa. 😂Tem fantasia, terror, ...
22/09/2026

Filmes e séries que quero assistir

Minha watchlist para o final de 2026 já está f**ando perigosa. 😂

Tem fantasia, terror, ficção científ**a, Marvel e alguns universos que eu já sei que vou assistir prestando tanta atenção nos cenários quanto na própria história.

Blade Runner 2099 é uma das minhas maiores curiosidades, principalmente para descobrir como vão imaginar essa cidade 50 anos depois de Blade Runner 2049. Mas também estou MUITO curiosa para conhecer a nova Hogwarts e voltar para a arquitetura da Terra-média.

E dezembro ainda resolveu colocar Vingadores e Duna praticamente juntos...

Qual dessas estreias vocês também estão esperando? E qual já querem que vire análise arquitetônica por aqui?

Uma das coisas que mais gosto em For All Mankind é que o futuro da série não aparece pronto.Ele vai sendo construído.Par...
17/09/2026

Uma das coisas que mais gosto em For All Mankind é que o futuro da série não aparece pronto.

Ele vai sendo construído.

Para imaginar Jamestown, por exemplo, os criadores partiram da tecnologia espacial dos anos 1970 e imaginaram como ela poderia evoluir com mais investimento, interesse político e décadas de corrida espacial.

Por isso a base começa modular e extremamente funcional. Depois aparecem corredores, dormitórios, laboratórios, áreas médicas, espaços de alimentação e novos setores.

E essa evolução é muito interessante do ponto de vista arquitetônico.

No começo, a pergunta é: o que precisamos para sobreviver aqui?

Com o tempo, ela muda para: o que precisamos para viver aqui?

Quando chegamos às estruturas maiores e às colônias em Marte, já não estamos falando apenas de módulos espaciais. Estamos começando a falar de urbanização, convivência, trabalho, hierarquia e até desigualdade.

A arquitetura acompanha a mudança da própria relação dos personagens com o espaço.

A Lua deixa de ser destino.

Marte deixa de ser apenas missão.

Esses lugares começam, aos poucos, a virar casa.

E acho que For All Mankind acerta justamente nisso: seu futuro parece possível porque conseguimos enxergar todas as etapas que foram necessárias para construí-lo.

Eu adoro quando uma produção cria uma cidade fictícia tão convincente que dá vontade de abrir o Maps para descobrir se e...
15/09/2026

Eu adoro quando uma produção cria uma cidade fictícia tão convincente que dá vontade de abrir o Maps para descobrir se ela realmente existe.

E Widow’s Bay faz exatamente isso.

O production designer Steve Arnold queria que a ilha parecesse remota, antiga e um pouco desconectada do restante do mundo.

Por isso, o design não pertence completamente a uma época. Existem telefones fixos, carros antigos, móveis desgastados e estabelecimentos que parecem não ter sido reformados há décadas.

Essa sensação de cidade “presa no tempo” foi totalmente intencional.

E tem muita construção por trás disso. A equipe chegou a criar cerca de 25 sets, enquanto outras partes foram filmadas em locações de Massachusetts.

Um dos meus detalhes favoritos, porém, é muito menor: o formato da própria ilha.

Arnold criou o desenho inicial contornando a própria mão. Além da forma irregular, existe uma ideia por trás disso: Widow’s Bay é um lugar que parece agarrar seus habitantes e não deixá-los escapar.

É quase uma arquitetura em escala urbana contando a história antes mesmo de entendermos tudo o que está acontecendo.

E é isso que acho tão interessante na série: nada precisa parecer explicitamente assustador o tempo inteiro. A cidade é charmosa, nostálgica e até acolhedora.

Só existe alguma coisa... errada.

Você teria coragem de passar um fim de semana em Widow’s Bay? E qual cenário da série mais chamou sua atenção?

Resolvi começar um novo quadro por aqui: o que eu vi e assisti no mês.Porque minhas referências não vêm só da arquitetur...
10/09/2026

Resolvi começar um novo quadro por aqui: o que eu vi e assisti no mês.

Porque minhas referências não vêm só da arquitetura. Filmes, séries, documentários e tudo o que consumo também acabam alimentando meu repertório, mesmo quando eu estou assistindo só pra me divertir.

Em agosto teve coisa que eu amei, coisa que me surpreendeu, filme conforto, muito true crime e também teve aquele que ganhou míseras 2 estrelinhas. Acontece.

E essas foram as minhas notas do mês!

Agora me conta: o que você assistiu em agosto e colocaria na minha lista?

08/09/2026

Como não amar esse projeto de um mini geek? 🎮👾

Uma das coisas que mais me chamou atenção em The Pitt foi perceber o quanto o hospital participa da narrativa.A equipe d...
03/09/2026

Uma das coisas que mais me chamou atenção em The Pitt foi perceber o quanto o hospital participa da narrativa.

A equipe de produção pesquisou hospitais e departamentos de emergência reais para construir o espaço. E a planta ficou tão importante que passou a ser utilizada pelos próprios roteiristas para pensar movimentações, encontros e acontecimentos.

Isso explica muito da sensação que temos assistindo.

O hospital parece apertado, ocupado, desgastado e constantemente em movimento. A câmera atravessa corredores, acompanha personagens e nos faz entender onde cada coisa está acontecendo.

E existe algo muito interessante nisso do ponto de vista da arquitetura: o Pittsburgh Trauma Medical Center não foi criado para ser um edifício que você olha e pensa “que arquitetura incrível”.

Ele foi criado para você acreditar que funciona.

Talvez seja justamente por isso que funcione tão bem como cenário.

Em The Pitt, a arquitetura quase desaparece. E, fazendo isso, consegue nos colocar completamente dentro daquele plantão.

Se existe um universo em que arquitetura e poder caminham juntos, é Eternia.Em Mestres do Universo, os principais espaço...
01/09/2026

Se existe um universo em que arquitetura e poder caminham juntos, é Eternia.

Em Mestres do Universo, os principais espaços têm identidade suficiente para quase funcionarem como personagens. Grayskull representa mistério, ancestralidade e poder. Snake Mountain materializa ameaça e domínio. E, ao redor deles, Eternia mistura referências medievais, fantásticas e futuristas sem a obrigação de pertencer a um período específico.

E isso é uma coisa que eu amo observar na arquitetura da ficção: um espaço bem construído consegue contar parte da história antes mesmo de alguém falar qualquer coisa.

E convenhamos: transformar uma caveira gigante na entrada principal de um castelo e fazer isso se tornar um dos edifícios mais reconhecíveis da cultura pop não é para qualquer um.

Você moraria em Eternia? 👀

Uma das coisas que mais gosto no universo de Alien é que o futuro nunca parece recém-inaugurado.Em Alien: Earth, isso f*...
27/08/2026

Uma das coisas que mais gosto no universo de Alien é que o futuro nunca parece recém-inaugurado.

Em Alien: Earth, isso f**a ainda mais interessante porque finalmente conseguimos observar essa linguagem arquitetônica também fora das naves.

Prodigy City aproveita a densidade, o concreto e até a umidade de Bangkok para imaginar uma metrópole de 2120. Neverland traz uma arquitetura modernista muito mais controlada e inquietante. E quando entramos na Maginot, voltamos ao retrofuturismo industrial que marcou o primeiro Alien.

Tudo tem textura, desgaste, função e história.

É uma visão de futuro muito diferente daquela arquitetura completamente branca, limpa e minimalista que a ficção científ**a costuma imaginar. Aqui, até 2120 envelhece.

Qual desses espaços vocês gostariam de analisar mais de perto?

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