24/08/2020
🤯"A minha alucinação é suportar o dia-a-dia | E meu delírio é a experiência com coisas reais". Este vem exaltar esta obra prima de Belchior, o disco "Alucinação" (1976), o segundo do cearense de Sobral. São 10 faixas e todas merecem destaque, pois compõem um conjunto de questionamentos existenciais, ao mesmo tempo com versos tão profundamente materiais, como os sucessos eternizados na voz de Elis Regina "Velha Roupa Colorida" e "Como Nossos Pais". 👎🏽👀Curiosamente, o hoje revolucionário disco foi recebido com certa divisão pela crítica da época, com Sergio Cabral pai batendo forte (chegou a citar um "desperdício de talento") e Nelson Motta elogiando a "exploração do novo" e suas contradições. O estilo de Belchior em "Alucinação" é descrito por alguns como "folk brasileiro", pelas narrativas e misturas entre rock, baião e outras inspirações, como Bob Dylan. 💫A verdade é que, com o perdão do clichê, essa obra segue muito atual e imprime toda a complexidade e pluralidade da música brasileira e dos sentimentos de seu povo. Com frases como "Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro... Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro!", o LP vendeu mais de 500 mil cópias, consagrando Belchior como um ídolo, principalmente da juventude, em meio à Ditadura Empresarial-Militar.
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