15/08/2026
Às vezes eu me pego pensando:
“Para que fui mexer com quem estava quieto?”
Porque mexer dói.
Exige tempo.
Exige cuidado.
Interrompe a rotina.
E, algumas vezes, depois de mexer, a gente só quer voltar para o lugar onde estava.
Mas existe uma diferença entre deixar quieto e deixar de cuidar.
Nem tudo que está silencioso está saudável.
Nem tudo que não incomoda precisa permanecer intocado.
E nem toda mudança que dói significa que foi uma decisão errada.
Recentemente vivi isso literalmente na pele.
Estou com 13 pontos, alguns doloridos, e em determinados momentos pensei:
“Eu estava tão bem sem mexer nisso...”
Mas também sei que algumas coisas precisam ser investigadas justamente porque, se forem ignoradas por tempo demais, podem se tornar um problema maior.
E talvez isso também aconteça dentro de nós.
A voz do “nunca é suficiente” pode nos empurrar para uma vida em que estamos sempre mexendo, fazendo, produzindo, melhorando, corrigindo...
Até que esquecemos de perguntar:
Isso realmente precisa ser mudado ou eu simplesmente não consigo aceitar o que já está bom?
Por outro lado, existe o extremo oposto:
“Está quieto, deixa assim.”
E às vezes aquilo que precisa ser cuidado permanece escondido justamente porque não está gritando.
Maturidade não é mexer em tudo.
Também não é deixar tudo como está.
É aprender a discernir:
o que precisa ser aceito,
o que precisa ser cuidado,
o que precisa ser confrontado
e o que precisa ser deixado ir.
Talvez a pergunta não seja:
“Quando é suficiente?”
Mas:
“O que, de fato, precisa da minha atenção agora?”
Nem toda dor é sinal de erro.
E nem todo conforto é sinal de saúde.
Cuidar de si também é aprender a discernir quando permanecer e quando mexer.
Nem todo pt9blema que aparece hoje precisa de uma resposta hoje.
"Consciência antes da Culpa"