27/08/2026
Desenhar é percorrer o projeto antes que ele exista. É nesse percurso que estruturas são imaginadas, relações espaciais são testadas e a essência de cada ambiente começa a se revelar. Por isso, o desenho não é apenas uma etapa do processo — é o fio que conduz a arquitetura do primeiro gesto até a sua materialização.
Depois de compreender o lugar, eu começo o instante da criação.
É quando as análises urbanísticas dão passagem à intuição, e o projeto deixa de apenas responder ao contexto para começar a revelar uma possibilidade própria. Nesse momento, meu principal instrumento é o desenho — livre, à mão, sem a rigidez das linhas prontas do computador.
Desenhar à mão é me permitir ir além do previsível.
É deixar que o traço procure caminhos antes mesmo que eu saiba exatamente onde eles terminam. Formas inesperadas, relações improváveis, soluções que surgem do gesto e se transformam enquanto são desenhadas. A mão não precisa obedecer ao que já conhece; ela pode experimentar o que ainda não foi imaginado.
Há uma liberdade no papel que a tela muitas vezes não oferece.
No desenho à mão, posso distorcer, sobrepor, apagar, recomeçar, ultrapassar limites e seguir uma ideia até onde ela quiser me levar. É nesse território de liberdade que a arquitetura começa a encontrar sua identidade. Antes que o computador organize, dimensione e refine, existe o traço — imperfeito, intuitivo e aberto ao inesperado. Aguardem...
PRIMEIROS RISCOS PRELIMINARES - DESENHO À MÃO LIVRE: Restaurante do Elora Boutique Hotel